quarta-feira, 23 de março de 2011

"POST" NOVO EM MONTE SANTO-BA
 
Monte Santo fica numa região do semi-árido baiano onde água é artigo de luxo. Nessa época a paisagem ainda está verde porque tem chovido na região mas em abril a chuva acaba. Até dezembro, a população passa a depender exclusivamente da água armazenada. Como a seca é brava e a evasão por evaporação é muito grande nos açudes, as cisternas são essenciais para o sertanejo que mora por lá aproveitar ao máximo a época de chuva.
As motos estão tomando o lugar do jegue e mesmo quem chega pela primeira vez, nota claramente que algumas mudanças estão em curso, umas causadas pela interferência maciça da mídia outras pela evolução econômica que atravessa o país.

Depois de correr 1 semana prá filmar um documentário, colei 2 esculturas na cidade; a primeira na Tapera, uma vila da região rural e a segunda em uma rua dentro dos limites urbanos.


                                                                                                                                      Fotos: Vras77

Para pregar o trabalho da zona rural não houve nenhum problema mas dentro da cidade a gente escapou só pelo prestígio de fazer parte da equipe de filmagem. Era 1:30 da madrugada de segunda prá terça e em frente a parede tinha um sobrado. A última coisa que podia esperar era alguém chegar em casa nessa hora numa cidade em que só guarda noturno fica acordado.
Quando os moradores do sobrado chegaram eu estava preparando o gesso para grudar a escultura. Ficaram com o carro ligado e então pedi ao brother que estava fazendo câmera para ligar e gravar um pouco e ver se assim, eles achassem que era alguma coisa e não ligassem prá polícia. Terminei o gesso, cheguei mais perto e expliquei que era uma intervenção artística.
Bem, a polícia não veio e no dia seguinte antes de ir embora deu para ver que ainda estavam lá.


Mesmo não escolhendo as esculturas de acordo com o local, acredito que elas têm tudo a ver com Monte Santo.
O primeiro, mais velho, calejado pelas vicissitudes, tímido, cheio de esperança e grato por poder respirar e existir,  está na área rural, onde o impacto econômico e as cisternas estão tirando muito gente da miséria econômica e mudando a paisagem.



O segundo, deslumbrado, numa felicidade quase histérica, está dentro de Monte Santo. O acaso fez quebrar o trabalho e deu-lhe uma verdade ainda maior; o novo sertanejo está admirado com todo o poder de compra, tão inédito e recente, tem um apetite voraz pelo consumo e, assim como escultura, pode acabar se quebrando.


Por enquanto é isso e quero agradecer as pessoas que me ajudaram a "postar" este trabalho:
Vras 77, Madruguinha, Talícia, Roque e Maria Sena e assinam comigo esta intervenção.


2 comentários:

Alessandra Cordeiro disse...

Parabéns! Precisamos de espetáculos como estes para exemplificar nossas vidas.

Luís disse...

Alessandra, tudo bem?
Obrigado pelo elogio, mas não precisava exagerar!! hehehe
abraço pro pessoal da Leste, "é nóis" sister.